quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O gigante acordou, mas era apenas um ciclope cego

           Junho de 2013 foi mais um blefe social do que um movimento seguro e consciente. Uma coisa temos que reconhecer: brasileiro é criativo, pois se apossar de um comercial de energético, transformando-o em campanha, junto a isso, utilizar o refrão "vem pra rua" usado em outro comercial foi  uma boa estratégia de marketing publicitário. Além disso, outra coisa é inegável: brasileiro grava mais o que vê na TV do que lê nos livros. 
       Nos primeiros dias daquele mês (a primavera, como alguns chamam) existia uma aparente espontaneidade do povo, um sentimento de revolta perante os absurdos políticos, milhares de pessoas nas ruas, manifestações simultâneas em vários lugares do país e um interesse súbito por discussões políticas no ambiente virtual e no real. "O gigante acordou" é uma das frases que mais lembra aquele mês. Entretanto, como todos sabem, com  o passar dos dias, as coisas foram mudando. Aquele mês serviu até mesmo para alimentação de grupos com um modus operandi questionável como os black blocs, dentre outras castas de vagabundos.  Quando nas ruas se viu mais vândalos do que cidadãos e mais bandeiras partidárias do que a bandeiras do Brasil, a primavera verde-amarela se tornou um outono tão triste, seco e sem sentido que só esses grupos permaneceram nas ruas. 
      E o gigante realmente acordou? Sim, leitor: o gigante acordou, mas era apenas um infeliz Polifemo (ciclope que foi cego por Ulisses na Odisseia). Verdade seja dita: o gigante não era dos mais inteligente. O que aconteceu em junho foram expressões sociais amorfas, quase acéfalas e sem liderança real (pois tinha gente que pensava que estava no filme V de Vingança). Os profetas da internet naquele período vaticinaram: "os leões de 2013 nas ruas serão os jumentos de 2014 nas urnas". Profecia realizada; Dilma se reelegeu. 
         Pobre Polifemo, andando mutilado, desorientado por sua cegueira, gritando para todos os lados: "Ninguém me cegou" e deixando escarpar de suas próprias mãos os seus mutiladores vestidos em pele de cordeiros. A única diferença entre o nosso Polifemo para o dos gregos é que o deles expulsou de suas terras, os seus mutiladores a gritos; já o nosso Polifemo os colocou no poder. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O petralha relâmpago

             O sentimento da necessidade de expor suas opiniões sobre política nas redes sociais, em especial em momentos de eleições, principalmente presidenciais, faz surgir uma figura nova, uma nova espécie  de opinador, com o tempo de vida felizmente breve como a vida de uma formiga ( que vive em média de 40 a 60 dias). Esse ser diferencia-se dos convencionais opinadores de direita e de esquerda e dos palpiteiros acéfalos políticos que não sabem nem o que um senador faz. A este "novo" espécimen dei o nome de petralha relâmpago: petralha, por ser um indivíduo com atitudes convergentes ao PT; e relâmpago por sua brevidade de vida, no tocante a opinião política. 
        Que as redes sociais, em especial, o facebook têm contribuído para a divulgação de informações e difusão de discussões políticas isso é fato. Essas redes são, muitas vezes, pontos de partida para novas leituras. Porém, quando não se avança nestas e se fixa somente na leitura rasa e muitas veze parcial de micro matérias postadas por páginas de notícias, cria-se um problema: uma estagnação opinativa. Disso muitos esquerdistas e até alguns direitistas fazem. Para demonstrar o quão raso é o seu nível de informação, cabe-nos dá um exemplo: algumas notícias postadas em páginas do facebook são apenas uma síntese de uma noticia maior que só será divulgada na versão impressa, que é bem mais detalhada; por sua vez, esse material impresso muitas vezes é baseado em um documento, que certamente não estará completo no jornal ou na revista; e por fim para ter acesso a esse documento, o leitor terá que pesquisar onde encontrá-lo para ler por completo o seu conteúdo. Fica claro que para compreender completamente o conteúdo da notícia e ter segurança para falar sobre, o leitor deve ter um espírito tão investigativo quanto quem a escreveu. É óbvio que essas micro notícias têm sua importância, mas o bom leitor não deve parar por aí. E quando nem esse conteúdo o leitores leem?  O resultado, obviamente é terrivelmente espantoso. 
          Juntando um dever momentâneo de se expor sua opinião política à desinformação e a um sentimento de estar do lado do bem ( na defesa dos fracos e oprimidos), nasce o petralha relâmpago. Não é suficiente mostrar apenas os "composto orgânicos" que dão origem a esse tipo de opinador político, mas também é necessário descrever seu comportamento e o resultado de seu trabalho de esforço mental, a sua opinião política.  
                  Para começar nossa descrição é crucial que falemos sobre uma munição que está implícita na opinião do petralha relâmpago: o monopólio da bondade, das virtudes e da verdade. Esse petralha tem plena convicção que está do lado dos pobres e das minorias, e contra a mídia golpista e às malditas e maquiavélicas elites. Mas o como dar opinião sem ter lido nada: nem um livro, jornal ou revista, nem acompanhou os acontecimentos políticos dos últimas anos  para assim começar a entender a conjetura político-econômica do país, além de dezenas de páginas dos livros medíocres do MEC destinadas ao Brasil República? Fácil responder. Já munido com o cajado da bondade, ele faz uso de três elementos para montar sua tese: primeiro, do que ouve a favor do PT e do que ouve contra a oposição (bolsa família pra lá e pra cá.); segundo, da propaganda do PT (que assiste somente porque já estava assistindo a TV, almoçando e vendo os programas esportivos ou policiais. Propaganda de didática do medo: "O passado está querendo voltar para tirar assombrar, vão tirar isso e aquilo de você.); e terceiro, de sua grande experiência de vida(espremendo memórias de tempos em que nem sabia que moeda estava vigente no país).
                 E o que monta, por fim, o petralha relâmpago unindo tais elementos para construir sua opinião? após juntar esses cacos de sub-informações (algumas até mesmo folclóricas) e sentimentos que variam do medo ao coitadismo e a passividade, ele constrói apenas um mosaico tão patético e surreal ( que mais parece um plágio de outros petralhas) que só denuncia a sua própria ignorância política. E você, leitor, pode se perguntar, "e você, blogueiro, o que diz a respeito disso"; e eu te respondo: se vergonha alheia matasse, eu estaria morto e você nem teria lido isso.